Estilos de aprendizagem: você está usando do jeito certo?

Estilos de Aprendizagem

Os estilos de aprendizagem definem a forma como conseguimos estudar ou aprender novas informações de forma mais fácil e proveitosa. O mais conhecido deles aponta que os aprendizes são visuais, auditivos ou cinestésicos e que cada pessoa apresenta mais facilidade em um determinado estilo de aprendizagem e mais dificuldade em outros. Essa é uma teoria amplamente difundida, mesmo entre o público leigo e é bastante provável que você já tenha ouvido falar alguma coisa dela.

O que acontece é que existe uma polêmica sobre eles no meio científico e é sobre isso que eu falo na videoaula a seguir:

Veja outras videoaulas indicadas no vídeo ou de interesse similar:

Estilos de Aprendizagem X Teoria Científica

O modelo dos estilos de aprendizagem que divide os aprendizes em auditivos, visuais ou cinestésicos não é único existente, apesar de ser o mais conhecido. Na verdade, existem dezenas de modelos estudados por diferentes grupos de Psicologia Cognitiva. No entanto, os profissionais da Neurociência, principalmente aqueles ligados a Neurociência na Educação, dizem que os estilos de aprendizagem não são válidos como uma teoria científica. Eles têm algumas argumentações para isso – entre elas, o fato de que estes modelos não são testáveis.

Acredito que essa argumentação está voltada para o campo da estrutura do conhecimento e da hermenêutica, e não no campo da utilidade prática de estudo. É uma argumentação um pouco complexa (dica: se você tiver interesse nela, você pode ler o livro do cientista cognitivo Daniel T. Willingham “Por que os estudantes não gostam da escola?”). Mas essa não é a questão.

A principal questão aqui é tentar entender um pouco dessa polêmica para descobrir o que há de bom e interessante nos dois lados da discussão, principalmente do ponto de vista daquilo que a gente pode aplicar em nossa aprendizagem.

A seguir, vamos discutir a localização física no cérebro das memórias de curto, médio e longo prazo. Cada lembrança que você tem pode estar em uma dessas memórias e cada uma delas tem um lugar no cérebro em que ela acontece.

Memória de Curto Prazo

Como o próprio nome diz, é aquela memoria que dura muito pouco: de alguns segundos a, no máximo, alguns minutos. Ela também é chamada de memória de trabalho e a sua localização física é o lobo pré-frontal que fica na frente do cérebro, mais ou menos atrás da nossa testa.

O lobo pré-frontal é uma área do cérebro muito focada no raciocínio, ou seja, se a gente precisa raciocinar sobre algo que esteja acontecendo neste exato momento, a gente traz algumas informações para a memória de trabalho e as usa para realizar o raciocínio que a gente precisa.

A memória de trabalho, além de ser uma memória de curto prazo, também tem a limitação de ser muito pequena. Os primeiros estudos acerca de quantos itens a gente consegue manter, ao mesmo tempo, dentro da memória de trabalho indicava que esse número girava em torno de 7 itens de informação. Se considerarmos uma margem de dois itens para mais ou para menos, que varia de pessoa para pessoa, teremos algo entre 5 e 9 itens que gente consegue gerenciar dentro da nossa memória de trabalho.

Alguns estudos mais recentes mostram que talvez essa memória de trabalho seja ainda menor e que o número de informações que somos capazes de processar ao mesmo tempo esteja mais para 5 do que para 7. Então seria alguma coisa entre 3 e 7 ao invés de 5 e 9.

O que isso significa? Se uma determinada tarefa exigir mais que 7 itens de informação, será necessário “tirar” algumas coisas da nossa consciência para poder trazer outras informações relacionadas a essa tarefa. Começa a ficar difícil raciocinar sobre o tema.

Independente do número, temos que considerar que este é um espaço bem pequeno. E, infelizmente, nós não temos conhecimento de mecanismos para ampliar a memória de trabalho de maneira significativa. O que existe são formas de aumentar o tamanho de cada item por meio de mecanismos de agrupamento. Nós usamos esses mecanismos naturalmente para conseguir fazer raciocínios cada vez mais complexos, mas, na prática, estamos sempre trabalhando com poucos elementos de cada vez.

Memória de Médio Prazo

Geralmente não se fala muito da memória de médio prazo. Essa é a memória das informações que você está tentando enviar para a memória de longo prazo, ou seja, daquilo que você está estudando, repetindo e revendo. Ela também tem uma localização bem específica: o hipocampo, uma área do cérebro que fica atrás dos lobos temporais.

O hipocampo é a área responsável por fazer associações entre as diversas informações sensoriais que recebemos o tempo todo através da visão, audição, tato e assim por diante. Essa infinidade de informações passa pelo filtro do hipocampo que, por sua vez, seleciona aquilo que ele considera importante ou não para enviar para a memória de longo prazo.

Uma coisa interessante é que o hipocampo está dentro do sistema límbico, que é o responsável pelas emoções (apenas os mamíferos têm um sistema límbico desenvolvido). Isso explica porque as emoções, tanto as positivas quanto as negativas, tem um papel fundamental na memorização e afetam a forma como você memoriza qualquer coisa.

Portanto, fica uma dica para você usar no seu dia a dia: busque quais emoções estão relacionadas com aquilo que está estudando para que isso facilite a seleção de informações pelo hipocampo e sejam enviadas mais rapidamente para a memória de longo prazo.

Outra função do hipocampo é a localização espacial. O nosso senso de localização está ligado ao funcionamento do hipocampo e isso explica porque um dos métodos de memorização avançada mais conhecidos é o Palácio da Memória. Nele, você associa os elementos que você quer memorizar a determinados pontos nos espaço físico e isso reforça o fato de que nós somos muito bons na questão da localização espacial por uma questão evolutiva.

Se você deseja saber mais sobre o Palácio da Memória, você pode conferir uma videoaula que eu fiz sobre ele clicando AQUI!

Memória de Longo Prazo

Essa é a parte da memória que os cientistas menos conhecem e têm mais dificuldades para estudar. Um dos motivos é porque a memória de longo prazo não está localizada em nenhuma área específica do cérebro como as memórias de curto e médio prazo.

Quando um indivíduo está acessando uma memória de longo prazo, vários pontos do cérebro são ativados – isto pode ser visto por imagens de ressonância magnética funcional. Então, se eu estou racionando alguma coisa agora, o que é mais ativado é o meu lobo pré-frontal. Se eu estou fazendo algum tipo de revisão, eu ativo bastante a região do hipocampo. Mas, se eu estou acessando uma informação já bastante consolidada na memória de longo prazo, várias regiões do meu cérebro são “ligadas” ao mesmo tempo.

A memória de longo prazo está espalhada por aquilo que a gente chama de neocórtex que é a área mais externa de todo o cérebro. O nosso cérebro foi evoluindo de dentro para fora ao longo da nossa evolução como espécie. A área mais recente e que nos torna mais evoluídos em relação as demais espécies é justamente o neocórtex.

Como o cérebro têm localizações para certas funções, você vai ter uma memória de longo prazo associada a vários tipos de informações. Por exemplo, se você “puxa” uma lembrança qualquer da memória de longo prazo, você “acende” áreas ligadas à memória visual, memória motora, memória auditiva, linguagem e assim por diante. Este modo de operar da memória de longo prazo serve como confirmação para o fato de que a nossa memória é associativa. Quanto mais associações de diferentes naturezas nós temos sobre uma determinada informação, mais a memória desta informação se consolida na nossa mente.

E é justamente isso que as ressonâncias estão mostrando: uma memória realmente estabelecida e consolidada tem muitas conexões com várias áreas do nosso cérebro responsáveis por várias funções e por várias memórias sensoriais.

E aí que você pode me perguntar: “Tá… mas e daí? O que isso tem a ver com aquele assunto inicial que são os estilos de aprendizagem?”.

Neurociência e Estilos de Aprendizagem

As teorias de estilo de aprendizagem separam os tipos de aprendizes em diferentes estilos. Como eu disse acima, a mais conhecida é a teoria do autor Walter Barbe, que é bem difundida e aponta que existem aprendizes que tem um foco na aprendizagem pelo canal visual, existem outros que são mais cinestésicos, ou seja, trabalham mais com o tato e com as sensações do corpo e tem aqueles aprendizes que são mais auditivos e conseguem aprender melhor pela audição.

Porém, existem muitas outras teorias de estilos de aprendizagem. Eu não vou escrever sobre todas aqui, mas eu vou apresentar mais uma para que você tenha uma ideia de que existem outros modelos. Aliás, a ciência toda é construída assim: uma pessoa ou um grupo de pessoas percebe que existem alguns padrões acontecendo e tentam organizá-los dentro de um modelo.

Reflexivos, teóricos, pragmáticos e ativos

Os pesquisadores Peter Honey e Alan Mumford criaram outro modelo em relação aos tipos de aprendizagem. Eles dividiram os aprendizes em quatro tipos: reflexivos, teóricos, pragmáticos e ativos.

  • Os REFLEXIVOS são aqueles que estão sempre perguntando o PORQUÊ das coisas. Eles precisam ter essa informação, caso contrário se sentem perdidos na aprendizagem.
  • Os TEÓRICOS são aqueles que gostam de ir a fundo na teoria e conhecer todos os conceitos presentes nela, por isso eles estão sempre perguntando O QUE.
  • Os PRAGMÁTICOS são aqueles que querem saber a “receita do bolo”. Eles perguntam o COMO e gostam de receber o passo a passo para fazerem algo ou resolverem um problema prático.
  • Os ATIVOS estão sempre se perguntando E SE… “E se eu fizesse tal coisa…?”, “E se acontecesse isso ou aquilo…?”. Esse é o tipo de aprendiz que precisa colocar a mão na massa para realmente sentir que entendeu aquela nova informação.

Com isso, você vê que essa é outra teoria que também faz bastante sentido se você começar a observar a maneira como as diferentes pessoas aprendem. Tanto este modelo quanto a teoria dos visuais, auditivos, cinestésicos observam a natureza da aprendizagem de pontos de vista diferentes.

Entretanto, alguns neurocientistas dizem que estes modelos não são válidos como teoria científica porque não podem ser testados de maneira rigorosa (aliás, é difícil testar rigorosamente qualquer coisa que envolva a mente humana).

Por outro lado, os modelos apresentados têm mostrado muita utilidade prática, SE USADOS COM CUIDADO. Não se pode imaginar que uma pessoa vai aprender exclusivamente por um único canal, por mais que ela tenha uma acuidade visual muito boa ou um ouvido muito bom. Nem que ela vá aprender só colocando a mão na massa sem conhecer nada da teoria.

E por que eu digo isso? Justamente por causa da memória de longo prazo, que como vimos, está espalhada pelo cérebro. Se você quer realmente consolidar uma informação, você não pode pegá-la por um único canal ou uma única fonte… você tem que usar o máximo possível de associações que você puder – e, de preferência, ligadas aos diferentes sentidos, estilos e pontos de vista.

Por exemplo, se você aborda um conhecimento que você quer aprender e só pergunta o “porquê” dele, a compreensão dele vai ficar um pouco capenga na sua mente. Mas se você perguntar por que, o que e como e o conhecimento for aplicado na prática, você terá uma aprendizagem muito mais completa.

A mesma coisa acontece se você pegar uma informação e estudá-la em um material que tenha um caráter mais visual e depois observar essa mesma informação dentro de um ambiente mais cinestésico, onde você pode sentir aquela informação, ou ouvir coisas sobre ela.

Você estará criando uma série de conexões que vão mexer com diferentes partes do seu cérebro e isso estará ajudando a sua memória a caminhar do médio prazo ruma a uma memória efetivamente consolidada a longo prazo.

Memorização eficiente usando (bem!) os estilos de aprendizagem

Acredito que a polêmica levantada pelos neurocientistas sobre estilos de aprendizagem muito teórica e distante da realidade de quem estuda. Na verdade, pelo que se vê na prática, é preciso construir o maior número possível de associações para conseguir memorizar com facilidade. Quem já experimentou qualquer tipo de técnica de memorização ou de aprendizagem sabe disso: quanto mais associações você faz com aquela informação, mais fácil será para você consolidá-la na sua memória.

No final das contas, eu estou com a Martha Gabriel, que no livro “Educ@r: A (r)evolução digital na educação” comenta que a gente não pode ficar esperando os cientistas validarem as teorias até a última gota de dúvida ser resolvida para mudar a maneira de ensinar e aprender.

Clique aqui para ver um vídeo onde eu comento sobre o livro Educ@r

Então fica aí minha dica para você: explore um conhecimento de diferentes pontos de vista, faça diferentes perguntas e, a partir disso, você vai conseguir criar uma memorização de longo prazo muito mais consistente do que se você ficar usando apenas um canal que alguém ou algum teste lhe disse que é o seu canal preferencial de aprendizagem.

Gostou desse conteúdo? Deixe seu comentário abaixo: você já tentou usar a teoria dos estilos de aprendizagem? Você já testou qual é o seu estilo de aprendizagem? Que tipo de resultado você teve ao tentar usar esse tipo de teoria? Como você acha que poderia melhorar esse resultado?

19 Comentários


  1. Oi Ana! Adorei o vídeo e sua opinião sobre o assunto! Me fez refletir e concordar contigo!
    Vc saberia me indicar onde posso encontrar o teste para o estilo de aprendizagem dos teóricos, reflexivos, ativos e pragmáticos?
    Aguardo sua resposta!
    Você tem me ajudado bastante! Bjos

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  2. Oi Ana, excelentes explicações. Quando fizeram esta avaliação em ambiente profissional, todos os meus colegas tinha predominância em um canal; mas na época, uns 20 anos atrás, a abordagem foi dada como canal de comunicação para que nós pudéssemos compreender que ‘um chefe auditivo’ ao falar com ‘um funcionário visual’ precisavam buscar uma forma de se comunicar melhor. Eu adorei a nova informação mas fiquei chateada porque todos tiveram traços expressivos em um canal (eram 60 perguntas) e somente eu fiquei com 20 respostas em cada um. Sentindo-me um ‘patinho feio’ fiquei na minha pensando que eu era ‘em cima do muro’. Agora, anos depois, descubro que aprendo de forma ideal. Pena o Tdah me atrapalhar mas sigo lutando! Forte abraço e obrigada.

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    1. Pois é, Sílvia, as vezes estas comparações só atrapalham a vida, né? Que bom que o artigo ajudou! Abraço!

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  3. Estudar um assunto pela apostila e depois o mesmo assunto por vídeo aula é uma maneira eficaz de aprendizagem? No meu caso seria para as provas do ENEM.

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    1. Oi, Márcio, é sim, uma forma excelente de estudar. Na verdade eu chamo isso de aprendizagem 3D, porque vc vê o assunto de diferentes pontos de vista e ganha muito mais profundidade! 🙂

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  4. Ana, espetacular aula novamente!!!! Saudades de conversar contigo!!! Ah, uma observação pequena, o nome do livro do Willingham é “Por que os alunos não gostam da escola?” tava com ele do lado…rsrs . Bjs

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  5. Bom dia Ana Lopes,

    Acabei de achar o seu site como um livro de capa dura, que despretensiosamente, a gente pega na prateleira para ler o resuminho da sobre-capa e começa a se aventurar a ler. Quando percebi já estava planejando “ler” seu site como uma matéria da faculdade.
    Uma vez por semana, às quartas-feiras, durante 50 minutos. Espero que dê certo.
    “Li” o primeiro vídeo, mas semana que vem, verei novamente com dedicação.
    Abraços e boa sorte!

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  6. Olá, quero agradecer por sua contribuição e propósitos de compartilhar seu conhecimento de forma a contribuir para o desenvolvimento de outras pessoas. Gostei sim do conteúdo bem estruturado e coerente. Pra quem lê está tudo lá, fontes e origens…rs
    Enfim. Grata por você existir!
    Fiquei muito feliz em me deparar com seu conteúdo aqui.

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  7. Desculpe, mas muito superficial seu conteúdo. Todo modelo tem um fundamento experimental e/ou filosófico uma fundamentação científica e isso não é mostrado no seu texto. É uma redução estereótipos que misturam um monte de teorias sem mostrar seu fundamento como se surgissem do nada ou fosse mera opinião e dica de como se fazer as coisas. Se quer prestar um serviço de educação, precisa apresentar de onde as ideias vem e quais as relações que os autores criaram para postularem, em que contexto elas foram construídas. Trazer informações sem isso é ser dogmática é propagar verdades sem fazer a pessoa pensar e ser algo prescritivo dando receitas prontas. Infelizmente as pessoas pedem verdades e receitas e para no diferenciar da auto-ajuda temos que apresentar a complexidade do mundo e ajudar a pessoas e enfrentar isso e não iludir dando a impressão que tudo é fácil. . Conheço gente séria que estuda estilos de aprendizagem há anos e ficaria muito decepcionada com a superficialidade com qual o tema foi tratado.

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    1. Paula,
      a principal fundamentação para esta discussão sobre estilos de aprendizagem está no livro do Daniel Willigham, “Porque os alunos não gostam da escola”. O Dr. Willingham é um renomado pesquisador americano em Neurociência e no livro ele apresenta argumentos bastante consistentes contra todas as propostas de estilos de aprendizagem, do ponto de vista da Teoria da Ciência.

      Note que no vídeo eu comento que acho a discussão dele acadêmica demais, e que em termos PRÁTICOS, podemos usar a noção de estilos de aprendizagem a nosso favor. Obviamente, as teorias dos estilos de aprendizagem não nasceram do nada, e sim de observações de pessoas e grupos de pesquisa sérios. Entretanto, devemos observar que pessoas sérias e bem intencionadas também estão sujeitas a errar. A história é cheia destes exemplos. Einstein não acreditava na Mecânica Quântica, e por isso tornou célebre a frase “Deus não joga dados com o Universo”.

      Outro ponto que gostaria de salientar é que muitas vezes se mistifica qualquer coisa rotulada de “científica”, como se ela fornecesse a verdade última das coisas. Ora, esta é uma atitude altamente anticientífica, já que sabemos que a Ciência só pode evoluir a partir do questionamento daquilo que tomamos por verdade a cada momento. Claro, muita gente já foi queimada na fogueira por fazer isso, porque quem dedica uma vida a uma teoria ou visão de mundo não quer perder o status adquirido a tanto custo, nem sentir o mal estar de descobrir que a sua vida baseou-se em uma quimera.

      Trabalhei com pesquisa por tempo suficiente para saber que o mundo acadêmico não é composto somente de almas nobres em busca da verdade pura, mas de seres humanos bem medianos, com comportamentos típicos de grupo, e todas as implicações sociológicas que isso tem. Ou seja, há muita política, conflitos de interesse, atitudes irracionais e rivalidades verdadeiramente infantis. Além de outras não tão infantis assim.

      Felizmente, hoje ninguém é queimado na fogueira, apenas tem seus artigos e pedidos de verba para pesquisa recusados.

      Mas vamos continuar falando de Ciência: vc sabe quantas décadas (e vidas) a comunidade científica precisou para conseguir provar que o cigarro estava diretamente relacionado ao câncer de pulmão? Se não sabe, gostaria de sugerir a leitura de “Uma senhora toma chá” de David Salsburg. Não é fácil de achar, porque definitivamente, não é uma leitura superficial. Para quem busca fundamentação realmente aprofundada, vale a pena o esforço, para entender um pouco mais como funcionam os bastidores do mundo acadêmico. Já posso dizer que vai muito além de qualquer argumento de autoridade, como o de que “pessoas sérias” estudam isso ou aquilo.

      O meu trabalho no Mais Aprendizagem tem um objetivo específico, o de ajudar as pessoas comuns a desenvolver as habilidades cognitivas BÁSICAS que a escola lhes rouba o direito de aprender. Vygotsky nos ensinou há muitos e muitos anos que para aprender de verdade as pessoas precisam estar dentro da Zona de Desenvolvimento Proximal. Em outras palavras, não adianta ficar discutindo Teoria da Ciência se ninguém consegue entender e muito menos se lembrar de 10% daquilo que se tenta ensinar. Tudo isso só porque a escola se recusa a usar todo o conhecimento científico acumulado mostrando que está praticamente tudo errado lá dentro.

      Em suma, eu não abandonei uma carreira acadêmica segura e bem sucedida para ficar empolando meu discurso com citações e palavras difíceis. Não estou jogando para uma plateia de intelectuais. Estou aqui para divulgar e ensinar aquilo que acredito, usando aquilo que eu sei que funciona, para pessoas que tem interesses, dores, desejos e motivações muitos diferentes dos seus, mas que nem por isso deixam de ser totalmente legítimos.

      E como eu sei que tudo isso funciona? Bem, pela experiência, pela vivência e também, pelo estudo CRÍTICO (*) daquilo que me cai nas mãos.

      Nada disso é gravado em pedra, mas eu concordo com a Martha Gabriel, quando ela diz no seu livro Educ@r que não podemos esperar por confirmações absolutas (que aliás, não existem) para começar a nos preparar para o século XXI. Enquanto ao “alto clero” fica na cúpula discutindo abstrações, as pessoas estão nas ruas da vida real tendo dificuldade de manter um emprego decente porque não conseguem aprender rápido o suficiente para acompanhar as mudanças que caem sobre suas cabeças.

      (*) Estudar criticamente passa necessariamente por entender primeiro e analisar depois. Seu comentário demonstra uma boa dose de falta de entendimento do que eu realmente falei no vídeo. De todo modo, vc queria referências, neste texto tem Willingham, Salsburg, Vygostky e Martha Gabriel. Poderia ter pedido com mais delicadeza e com uma crítica mais construtiva. Eu teria fornecido do mesmo jeito. Mas obrigada de qualquer forma, sua acidez inexplicável me ajudou a pensar, organizar as ideias e fortalecer em mim o exato papel do meu trabalho aqui no Mais Aprendizagem.

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    2. Hoje (18/05/2016), eu gostei do texto dela. A superficialidade com a qual o tema foi tratado me incentivou a procurar saber mais sobre o assunto. Nas palavras que ela utilizou, o assunto ficou fácil de entender, sem ser técnico. Me lembro da faculdade quando um professor mais experiente usava um linguajar “fácil” e mantinha a classe atenta. Ao final da aula, quem tivesse dúvidas, ele encaminhava para a solução e alguns “exercícios” mais difíceis.

      Sou Engenheiro Mecânico, desempregado, e com muito tempo livre para ler!

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  8. Olá professora
    gostaria de parabenizar pelo vídeo
    meu nome é Janaína tenho 27 anos sou formada em pedagogia estou pensando em montar uma tese para ingressar no curso de Mestrado e como título quero desenvolver um trabalho sobre aprendizagem acelerada e técnicas de aprendizagem para aplicação na educação pública brasileira.
    gostei muito de suas explicações No momento estou estudando para um concurso público e lutando para reter o maior número de conhecimentos na memória de longo prazo até a prova e com essa luta foi que surgiu a ideia de montar uma tese de Mestrado em cima desse tema. o que a senhora acha???? abraços e parabéns

    Responder

    1. Oi, Janaína, seria muito interessante vendo alguém trabalhar neste tema no Brasil, Janaína. O livro “Revolucionando o Aprendizado”, que é uma referência em aprendizagem acelerada, foi baseado em uma tese de doutorado.
      Se vc encontrar um orientador disposto a orientar este estudo, me diga o nome dele depois. 😉

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  9. Oi Ana,
    Só para variar mais um excelente vídeo. Parabéns e Obrigado.
    Para efeitos práticos, uma dúvida, como trabalhar ou associar os etilos de aprendizagem com as inteligências múltiplas de Gardner em benefício do processo ensino-aprendizagem?
    Gostaria de saber sua opinião, caso, evidentemente, faça sentido a pergunta.
    Abs.
    Flávio

    Responder

    1. Oi, Flávio, obrigada. 🙂
      As inteligências múltiplas funcionam como mais um modelo. Vc pode usar várias das suas inteligências para abordar um mesmo assunto. Exemplo, inteligência linguística na hora de ler sobre o assunto, inteligência musical para criar uma música com os principais conceitos, interpessoal para conversar com as pessoas sobre isso (sem se tornar chato! rss….), e assim por diante.

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  10. Boa noite! Vi seu video de hoje sobre estilos de aprendizagem e já assisti vc algumas vezes no periscope. Gostei da sua forma de mostrar as coisas e estou vendo seus vídeos, de 2 em 2, todo dia, desde a semana passada.E tenho encontrado uma dificuldade: o acesso aos vídeos. Em vez das páginas estarem numa sequência numérica (tipo 1,2,3,4,5,6….última), estão assim:1,2….10, próximo artigo. Então, como estou lendo do 10 para o 01, e já estou na pagina 7, fica mais trabalhoso acessar. Tenho que entrar na 10, depois na 9, na 8, até encontrar o último video que assisti. Se pudesse ser como no Google, por exemplo, ficaria bem mais fácil. Só uma sugestão. 🙂

    Responder

    1. Oi, Paulo, que bom que está empolgado!
      Obrigada pela sugestão. Quando estivermos mexendo na estrutura, vamos melhorar a navegação sim. Uma ideia é vc usar a busca do site, e buscar pelo título do último vídeo assistido.
      Assim vc terá acesso ao próximo com mais facilidade. 😉

      Responder

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