3 palestras TED que vão mudar seu jeito de aprender

O que REALMENTE precisamos aprender para encarar os próximos anos deste fascinante (e às vezes assustador) século XXI?

E como vamos fazer – individualmente e como sociedade – para aprender tudo isso?

Bem, alguns dos mais brilhantes pensadores e “fazedores” da humanidade tem ideias pra lá de interessantes e inovadoras sobre estas questões. E boa parte delas já fez pelo menos uma palestra em alguma das edições do famoso TED Talks, as palestras TED.

Continue lendo para descobrir:

O que é o TED (e porque você deveria assistir uma palestra TED todo dia)

Visão de uma palestra TED

Inicialmente, o TED era uma conferência sobre Tecnologia, Entretenimento e Design, mas de alguma forma criou vida própria e tornou-se palco para exposição das mentes e ideias mais brilhantes do mundo, em praticamente todas as áreas da experiência humana.

O mote deles dá bem o tom da coisa: “ideias que valem a pena espalhar” (ideas worth spreading).

As palestras TED tem um formato bem peculiar – principalmente na duração, fixada em exatamente 18 minutos. Aparentemente, esta duração está relacionada com a capacidade de atenção média das pessoas (veja aqui – em inglês)

Os eventos ao vivo ocorrem duas vezes por ano, as palestras são gravadas e disponibilizadas gratuitamente , no site da TED e no canal do Youtube. As palestras de maior sucesso tem legendas em várias línguas.

As palestras TED se tornaram sinônimo de inteligência e boas ideias, daquilo de melhor que a criatividade humana pode produzir. Uma palestra TED por dia pode ser exatamente o que você precisa para ter mais fé na humanidade e no nosso futuro! E só leva 18 minutos…

A diferença entre TED e TEDx

No rastro do sucesso do TED, começaram a surgir eventos independentes com o mesmo formato em todos os cantos do mundo. São os eventos TEDx, geralmente bem menores e com temas específicos. Por exemplo, o TEDx Praça Santos Andrade (em Curitiba), teve como tema a Educação.

Aliás, o Brasil já sediou vários TEDx, e tem vários outros planejados: você pode ver neste mapa todos os que estão por vir. Na aba “past” também dá para ver todos os que já aconteceram por aqui.

E antes que você se perca no festival de ideias fascinantes oferecidas pelo imenso cardápio do TED, que tal começar por 3 das mais famosas palestras TED? Interessantemente, elas falam sobre educação e aprendizagem!

Será que nossas escolas estão fazendo mais mal do que bem?

A solução não é padronizar a educação, mas personalizá-la e adaptá-la para as necessidades de cada criança e de cada comunidade. Não há alternativas. Nunca houve. (Ken Robinson)

Esta é a palestra TED mais vista no mundo inteiro, com 40 milhões de visualizações!

Sir Ken Robinson é um simpático ex-professor inglês, que usa os seus 18 minutos para arrasar completamente com o atual sistema de ensino.

Veja algumas das principais ideias que você vai encontrar aqui:

  • Nós não temos a mais remota ideia de como será o mundo nas próximas décadas, por isso a criatividade é uma habilidade fundamental para quem pretende viver neste mundo.
  • A demonização do erro promovida nas escolas atuais é a grande responsável pela destruição da criatividade natural das pessoas.
  • O foco excessivo em linguagem, matemática e ciências promove um espetacular desperdício de talentos que poderiam contribuir massivamente com a sociedade se tivessem as suas peculiaridades respeitadas, incentivadas e prestigiadas (o caso da Gillian é fabuloso para ilustrar isso).

Enfim, se você acha que “há algo de podre no reino da educação” mas ainda não entendeu exatamente o que é, você precisa assistir esta palestra! (se as legendas em português na aparecerem, configure clicando na rodinha dentada no rodapé do vídeo).

Autodidatismo radical e para todos!

Se as criança acham que a pessoa na frente dela tem todas as respostas, elas estão bem menos inclinadas a tentar encontrar as respostas por si mesmas (Sugatra Mitra)

Sempre digo que nós que já estamos na escola ou que já passamos por ela, não temos mais tempo para esperar pela escola do futuro. Neste caso, a única saída é desenvolvermos ao máximo o nosso autodidatismo, ou seja, a capacidade de aprendermos com autonomia, sem depender que um bom professor caia do céu e nos ensine da maneira que precisamos aprender.

Mas muita gente acha que autodidatismo é para poucos escolhidos, quando isso simplesmente não é verdade. E os experimentos do Professor Sugatra Mitra provam isso de forma magistral.

O Mitra leva o conceito de auto-aprendizagem para um outro nível. Um nível tão alto que ele levou 3 anos para conseguir publicar um dos resultados da sua pesquisa porque os revisores achavam tudo aquilo muito bom para ser verdade…

Quer descobrir como? Então me acompanha!

Aprendendo em um buraco na parede

Menino indiano olhando pela primeira vez o computador de um dos experimentos "um buraco na parede" de Mitra
Menino indiano olhando pela primeira vez o computador de um dos experimentos “um buraco na parede” de Mitra

O trabalho que tornou o prof. Mitra famoso chama-se “um buraco na parede”. Ele distribuiu computadores pelas regiões mais distantes, pobres e isoladas da Índia (e depois do mundo), e fez isso de um jeito muito interessante: por um buraco na parede, para o lado de fora da rua, ele colocava a tela de um computador e um mouse. Quando possível, havia acesso a Internet, e caso não desse para tanto, ele enchia o disco rígido do equipamento com uma variedade de materiais que simulassem a riqueza de informações da rede.

O segundo passo era largar o computador por lá e só voltar dois ou três meses depois…

E o que ele encontrava quando voltava era fascinante… as crianças de cada vilarejo não só estavam manipulando o computador com perfeita intimidade, como tinham aprendido um bocado de coisas que antes elas nem desconfiavam (sim, o experimento envolvia testes de “antes” e “depois”).

Quer mais?

Bem, um dos aspectos mais impactantes desta experiência é que em grande parte dos casos estas crianças não sabiam sequer falar ou ler em inglês

Agora, se você quiser saber o que aconteceu quando ele resolveu deixar um bando dessas crianças se virarem para aprender biologia molecular sozinhas, vai ter que assistir esta palestra TED do incrível professor Sugatra Mitra!

E que tal aprender de cabeça para baixo?

O mesmo estudante que há seis semanas atrás você classificaria como lento, agora pode ser considerado talentoso. (Salman Khan)

Todo mundo sabe que cada pessoa tem o seu próprio ritmo e sua própria maneira de aprender, mas as escolas teimam em não levar isso em conta. A desculpa? Não seria economicamente viável atender individualmente a todos…

Este é mais um mito derrubado em apenas 18 minutos no palco da TED, desta vez pelo fundador da Khan Academy, Salman Khan.

Os vídeos que o Khan fazia para ensinar matemática a distância para seus primos em outro estado mostraram mais uma vez que a escola tradicional está fazendo tudo errado. E a solução então tem sido justamente virar tudo de cabeça para baixo!

O trabalho do Khan deu origem ao que hoje se chama a sala de aula invertida (flipped classroom). Neste modelo, os alunos assistem a exposição do conteúdo em casa, em forma de vídeos, e usam o tempo de sala de aula para praticar, tirar dúvidas e “desempacar” em algum assunto que não tenha ficado muito claro.

Salman Khan e a figura misteriosa que está ajudando a tornar a Academia Khan um sucesso mundial
Quem é a figura misteriosa que está ajudando a tornar a Academia Khan um sucesso mundial?

Para dar suporte a tudo isso, a Academia Khan desenvolveu um software com exercícios que parecem não ter fim e que além disso consegue registrar tudo o que o estudante faz no seu percurso de aprendizagem.

As consequências são interessantes…

  • cada estudante define o seu ritmo de estudos: vídeos podem ser pausados, voltados e repetidos quantas vezes a pessoa quiser ou achar que precisa, sem ficar com vergonha de perguntar de novo.
  • o professor sabe exatamente quem está progredindo bem e pode ser deixado em paz e quem precisa de atendimento individual para desenrolar algum ponto mais difícil.
  • o estudante só avança quando está realmente entendendo o assunto atual (o que é medido pelo software). Isso evita que eles acumulem a famigerada “falta de base”.
    • Esta última nos leva a uma das ideias mais interessante e sutis da sala de aula invertida: o foco da aprendizagem passa a ser na maestria completa de cada assunto, ao invés de simplesmente atingir uma “média” que reduz todo mundo à mais absoluta “mediocridade”.

Se você está achando tudo isso meio louco ou impossível, então assista o vídeo e veja no finalzinho quem está apoiando (inclusive com muito dinheiro) esta proposta maravilhosa…

Como tudo isso se aplica na sua aprendizagem?

Você pode estar pensando que tudo isso é muito lindo e vai mudar o mundo, mas talvez não se aplique às aprendizagens urgentes que você precisa fazer para “ontem”…

Bem, deixa eu te provocar um pouquinho:

  • E se você permitisse que o seu lado criativo participasse mais da sua aprendizagem, estudando de maneiras diferentes do usual? Você poderia começar, por exemplo, usando mapas mentais
  • E que tal esquecer que aquele seu professor é muito ruim e assumir o controle e a responsabilidade da sua própria aprendizagem? Afinal, se crianças pobres e quase analfabetas dos mais remotos vilarejos da Índia conseguem, você tem alguma dúvida de que você também possa?
  • Agora um desafio: teste seus conhecimentos em matemática lá na Academia Khan e siga a partir dali, um pouquinho por dia. Daqui há um ano, volte aqui para me contar o quanto da sua suposta “falta de base” ou “falta de talento” em matemática ainda resta… 😉
E você, já assistiu alguma palestra (TED ou não-TED) que mudou a sua forma de ver a aprendizagem? Role a tela para baixo e conte aí embaixo nos comentários! 

8 Comentários


  1. Mais uma vez a Ana Lopes junto com o MAIS APRENDIZAGEM interados com o que há de mais avançado no mundo da aprendizagem “lúdica”, porém ainda no Brasil nossas autoridades engatinham neste quesito e falta muita estrutura as massas ou não é interessante para eles, tal mudança. Parabéns pelo trabalho, fiz seu Curso Acelere sua Leitura e também sobre AM3.

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  2. Fantástico, essas palestras “TED”. Sinceramente, não conhecia. Ideias fantásticas, espero que sejam testadas. Tenho certeza que dará certo. Obrigado pelas informações.

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  3. Muito legais e proveitosas essas informações que você compartilha. Gostaria, por oportuno, de compartilhar a minha própria experiência, como forma de gratidão pelo trabalho que você vem desenvolvendo e compartilhando com todos. conclui a minha graduação em Direito no ano de 2004. Na época era funcionário de um banco e, devido a excessiva carga de trabalho, cogitei desistir do curso por várias vezes. Mas, conclui… Onze anos depois, em 2015, já aposentado, decidi fazer o Exame da Ordem dos Advogados do Brasil, para poder exercer a profissão de advogado. Nesse momento, deparei-me com dois problemas: o tempo de conclusão do curso (11 anos), pois muita coisa já havia mudado e outras tantas eu já havia esquecido; e as estatísticas de aprovação (apenas 20%) dos candidatos conseguem a aprovação. Que fiz eu? Comecei, antes de iniciar os estudos, a buscar informações que me ajudassem a estudar melhor e ter um rendimento mais produtivo. Foi quando encontrei os seus vídeos no youtube e, depois, o site “Mais Aprendizagem”. conheci a ferramenta dos “Mapas Mentais” que associada a outras orientações/técnicas, levaram-me a almejada aprovação no exame da OAB. Muito obrigado pelo seu trabalho. Acredito que tem ajudado a muitos outros. Forte abraço.

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    1. UAU, Ronaldo, parabéns!!! E muito obrigada por contar a sua história!! São histórias como esta que fazem a gente querer fazer mais e mais pela aprendizagem das pessoas!!
      Um forte abraço!
      Ana

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  4. Gosto muito das palestras do TED.

    E gostei bastante das indicações do artigo. Tinha visto só uma delas e vi as outras agora.

    E gostei de saber também da diferença entre TED e TEDx. Eu já tinha reparado no “xizinho”, mas não sabia o porquê dele rsrsr

    Obrigado!

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  5. Cadê o vídeo que você postou sobre o excesso de informação??
    Acho que era “Como fazer muito com pouca informação”

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    1. Marcos, tivemos um probleminha na gravação do vídeo assim retiramos do ar…o mesmo será publicado em breve…aguarde…
      Abs, Marcelo.

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